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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#123 pedrógão grande, portugal

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O meu filho conhece um casal que foi de lua-de-mel para França e deixou o filhote com os tios, tinham ido para a praia fluvial, provavelmente viram o fumo e decidiram ir embora, se eles soubessem, o fogo nunca chegou à praia fluvial, coitados - disse-me o motorista do Uber que acabei de apanhar para vir pra casa, depois de ter entregue um saco cheio de ligaduras no quartel da Rua das Flores. A criança morreu? Sim, respondeu-me. E os tios também, morreram todos. Ficámos os dois emocionados, eu, trémula, repetia que ninguém recupera disso, ninguém recupera de tal tragédia. 

 

Entrei em casa e encontrei notícias sobre uma criança com uma história semelhante, provavelmente trata-se da mesma. O motorista da Uber questionava-se se os pais ficariam juntos depois desta tragédia. Enfim, não creio que isso sequer importe. Nenhum dos dois indivíduos conseguirá recuperar de tal dor. Com cada um deles, um universo de pessoas será afectado pela notícia, pela perda, pela absurda morte da criança que durará uma vida de luto. Por cada morte neste incêndio, há um mundo de vítimas de número incalculável. Infelizmente, não podemos ir sozinhos nem recuar no tempo para retirar cada uma das sessenta e duas pessoas deste cenário dantesco, mas podemos, ai isso sim, podemos dirigir-nos ao quartel mais próximo e perguntar o que precisam.

 

Fui almoçar com uma amiga, saímos do restaurante e, sem hesitar, subimos ao Largo Barão Quintela para oferecer ajuda. Chegámos ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Lisboa e um rapaz apareceu, perguntei em que podia ajudar, disse-me ligaduras, que o que precisavam mais naquele momento era de ligaduras. Fomos à farmácia e comprámos uma boa quantidade de rolos para entregar. Voltámos ao quartel e perguntámos se estas eram boas, o rapaz, ofegante, de olhos a brilharem, disse que sim, sim, estas são óptimas, muito obrigado!

 

Não estou, de todo, a querer romantizar a situação, apenas a tentar descrever algo tão maior que o que escrevo. A realidade, e tenho quem ma confirme, é que quando entreguei aquele saco de ligaduras, estavam carros e carros a pararem em segunda fila para entregarem água, fruta e outros bens necessários neste momento e, entre nós e os outros, havia um olhar que dizia obrigado.

 

Virámos as costas ao quartel e demos um abraço. Ela foi pra casa, eu vim pra casa. O meu Uber parou à porta e motorista disse: Muita saúde. Para si, também, disse-lhe, com vontade de subir as escadas e escrever isto. Somos todos humanos e, ainda que só em tragédia nos unamos assim, que nos unamos então. É urgente ajudar:

 

1 - O que entregar nos quartéis:

(se possível, perguntar primeiro e presencialmente o que precisam mais)


Água com gás em doses individuais (0,33cl)

Água oxigenada

Compressas

Ligaduras

Barras de cereais / Barras energéticas


2 - Conta Solidária - CAIXA Geral de Depósitos
IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42


3 - Esta campanha de crowdfunding para ajudar, veiculada pela PPL

https://ppl.com.pt/pt/causas/ajuda-pedrogao


4 - Para ajudar os animais, vítimas do incêndio, ligar para a VetFigueiró (que está em acção) e perguntar o que precisam: 924 142 777

 

5 - Partilhar no facebook posts com informações úteis

 

 

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